Megaoperação contra o Comando Vermelho deixa mais de 120 mortos no Rio
A megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos 121 mortos, segundo balanço oficial divulgado nesta quarta-feira (29). A ação, que envolveu cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, é considerada a mais letal da história do estado.
De acordo com o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, entre os mortos estão quatro policiais e 117 pessoas apontadas como suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho (CV).
O número de mortos ainda é alvo de controvérsias. Enquanto o governo fala em 121 óbitos, moradores relatam ter encontrado mais de 70 corpos em áreas de mata entre os complexos. Imagens de drone registraram dezenas de corpos sendo reunidos em uma praça na Penha, à espera da remoção pela Defesa Civil.
“Foi um massacre, um assassinato”, disse Elieci Santana Soares, mãe de um dos mortos, que contou ter encontrado o filho algemado e baleado. Outra moradora, Érica Paula, classificou a ação como uma “chacina”:
“Na Constituição, não pode ter chacina. Meu neto tinha 17 anos. Que Deus proteja a gente.”
Durante o dia, o clima de pânico tomou conta das comunidades. Moradores se esconderam em casa, escolas e comércios suspenderam atividades, e o transporte público foi interrompido em várias vias da cidade.Corpos na mata e medo nas comunidades
O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação, batizada de “Operação Contenção”, e afirmou que “as únicas vítimas” foram os quatro policiais mortos.
“Temos muita tranquilidade para defender o que foi feito. De vítimas, tivemos apenas os policiais. Essa foi uma ação legítima e necessária”, declarou o governador no Palácio Guanabara."
Castro também justificou a classificação dos mortos como criminosos:
“O conflito foi em área de mata. Não creio que alguém estivesse passeando ali durante o confronto.”Castro chama operação de ‘sucesso’ e diz que policiais foram as únicas vítimas"
O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a operação, batizada de “Operação Contenção”, e afirmou que “as únicas vítimas” foram os quatro policiais mortos.
“Temos muita tranquilidade para defender o que foi feito. De vítimas, tivemos apenas os policiais. Essa foi uma ação legítima e necessária”, declarou o governador no Palácio Guanabara.
Castro também justificou a classificação dos mortos como criminosos:
“O conflito foi em área de mata. Não creio que alguém estivesse passeando ali durante o confronto.”
A ação gerou repercussão internacional e foi duramente criticada por organizações de direitos humanos. O Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) declarou estar “horrorizado” com a operação e cobrou investigações rápidas e independentes.
A Human Rights Watch classificou o episódio como “uma enorme tragédia” e pediu apuração das circunstâncias das mortes.
“A sucessão de operações letais mostra o fracasso da política de segurança do Rio de Janeiro”, disse César Muñoz, coordenador da HRW no Brasil."
No Brasil, 27 entidades de direitos humanos divulgaram nota conjunta chamando o episódio de “chacina” e denunciando uma política de “extermínio” voltada contra populações negras e empobrecidas.
O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) enviaram um ofício ao governo do estado exigindo informações sobre o planejamento da operação e se as normas da ADPF 635, que busca reduzir a letalidade policial, foram cumpridas.
As instituições pedem que o governo demonstre se havia “meios menos gravosos” para atingir os objetivos e se os agentes usavam câmeras corporais, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a coletiva, o governador chamou a ADPF de “maldita” e afirmou que as restrições impostas pelo STF “favorecem os criminosos”.
O Comando Vermelho, fundado nos anos 1970 no presídio de Ilha Grande, é hoje a maior facção criminosa do Rio e uma das mais influentes do país. O grupo atua não apenas no tráfico de drogas, mas também no controle de serviços como gás, internet e transporte alternativo nas comunidades.
Segundo o governo, a operação teve como alvo líderes e operadores financeiros da facção, como Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão”, e Nicolas Fernandes Soares, apontado como responsável pela movimentação de recursos do grupo. Ambos foram presos.